terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entrevista a um Agente da PSP

No dia 3 de Fevereiro o nosso grupo este à conversa com um Agente da PSP que nos respondeu a algumas perguntas sobre a violência no namoro.
Aluna: Gostávamos de saber se costumam receber muitos casos de violência no namoro.
Agente: Não, não são muitos os casos, mas acontecem alguns, e aqui nesta escola até já aconteceu agora aqui há tempos, um moço que andava a namorar com uma moça e como se costuma dizer, ela deu-lhe com os pés. Depois andava assim um bocado exaltada, mas isso é raro acontecer. Acontecem algumas mas essa é raro acontecer.

Aluna: Como é que as vitimas reagem durante a conversa?
Agente: As vítimas naquele momento estão exaltadas, e nós temos agentes e pronto, somos pessoas mais velhas e já sabemos como é o passado, então tentamos compreender que não é aquilo que as pessoas estão a pensar. Um dos grandes problemas hoje em dia são as novelas. As novelas dão um bocado a volta á juventude e nós não nos podemos guiar pelas novelas. A realidade é bem diferente não é verdade?

Aluna: O que costumam fazer nessas situações?

Agente: Isto é assim, quando nós temos conhecimento dessas situações temos de participar, queiram ou não, temos de participar a dar conhecimento. Quando são menores de 16 anos, nós não ficamos lá com aquilo em arquivo, segue para o tribunal de menores. Posteriormente o tribunal de menores faz o que entender, se forem menores chama aquele que é responsável, se forem maiores de idade segue para o tribunal normal.

Aluna: O que acha que se deve fazer para evitar esse tipo de violência?
Agente: Isto é assim naquele momento conversamos com ambas as partes, para tentar resolver. Não somos só nós, a polícia, a comunicação social, as televisões também haviam de mostrar a realidade porque as novelas são uma coisa diferente. Nas novelas correm tudo bem não é? Mas cá fora corre mal..

Aluna: A primeira coisa que fazem é uma investigação. Em que consiste essa investigação?
Agente: Quer dizer, aí nós não fazemos investigação, nós limitamo-nos a ouvir ambas as partes e participamos mas depois nós não podemos ouvir ninguém. Depois disso, se forem menores, somos chamados ao tribunal de menores e lá o Senhor Juiz é que pode fazer o interrogatório, nós não podemos interrogar ninguém porque são menores, mas podemos perguntar “O que aconteceu?”, mas não estamos a interrogar ninguém, só estamos a conversar. Nós só podemos conversar na presença dos pais ou encarregados de educação.

Aluna: Costumam haver mais casos entre casados ou entre namorados?

Agente: É mais entre casados. Isso já é um caso de violência doméstica que nós participamos mas já não é responsabilidade dos elementos da Escola Segura mas sim dos elementos da Esquadra.

Aluna: Quando descobrem o culpado, o que fazem a seguir?

Agente: Nós, a Policia só nos limitamos a participar. Não vamos aplicar uma pena porque não temos essas competências e assim, às vezes as pessoas são penalizadas por terem agredido verbalmente e fisicamente e depois vai a julgamento. A pessoa naquela altura pode não ser penalizada mas, fica com pena suspensa de dois a três meses, se essa situação se voltar a repetir é penalizado.

Aluna: Mas com os maiores de idade já é diferente, não é?

Agente: A partir dos 16 anos é diferente, sim. Mas com os menores de idade vão ao tribunal de menores e muitas vezes vão para colégios internos ou uma casa de correcção. Um exemplo aqui em Coimbra é o IRS (Instituto de Reinserção Social) que é lá para cima para os Olivais. Eu pessoalmente nunca lá entrei dentro mas se vocês lá forem vêm aqueles jovens que lá estão para serem corrigidos, mas também há os colégios internos que são para aqueles que não querem estudar. É como aquilo que normalmente se diz: Se não querem estudar a bem, estudam a mal.
Isto é assim, nós a polícia só podemos responder aquilo que nós sabemos, porque há aquelas pessoas que dizem que a polícia não faz nada. Nós, a polícia, não podemos interrogar ninguém e eles são chamados ao tribunal de menores e depois o Sr. Juiz é que faz as perguntas.

Aluna: E os pais, como é que costumam reagir?

Agente: De vez em quando acontece retaliação. Já tem acontecido violência na escola e os alunos em vez de darem conhecimento, como deveriam fazer, ao conselho executivo ou aos responsáveis pelo aluno, não dão. Das duas uma, ou ligam directamente aos pais e depois eles vêm fazer justiça pelas próprias mãos ou então vão para casa e contam aos pais.

Aluna: Mas há aqueles casos em que os pais nem sabem!

Agente: Pois, os pais não sabem. E é por isso mesmo que nós damos a participação se um menor, atenção é de um menor, que agrediu outro e nós dizemos-lhe: “Olha, quando chegares a casa vais dizer aos teus pais o que se passou!”. Mas depois nos também temos de dar conhecimento porque é menor. Depois no dia a seguir ou até mesmo no próprio dia eu faço a participação e depois menciono lá que dei conhecimento aos pais ou encarregado de educação. Passados uns dias tenho que ir lá a casa fazer uma “visita” e tenho que dizer o que o jovem fez. Mas os maiores de idade não têm essa obrigação de informar os pais. Antes de ontem aconteceu uma coisa numa escola, uma agressão em que três alunas agrediram uma e então ela tem todo o direito de se queixar porque é maior de 16 anos, então ela hoje de manhã ela estava lá na esquadra e disse que vinha para tratar de um assunto, por causa de uma agressão, e o meu chefe perguntou que idade e que ela tinha e ela respondeu que tinha 17 anos, então já pode apresentar queixa.

Aluna: Esses tipos de violência costumam ser graves ou nem por isso?
Agente: Não, nem por isso. Umas palmadas, uns socos e uns pontapés… Mas normalmente não costuma ser grave.

Aluna: Não costuma haver casos graves?
Agente: Não. Isso só acontece com os adultos. Mas que eu tenha conhecimento, não! Nas escolas por agora ainda está tudo muito pacato. Eu até estou admirado porque isto tem estado muito calmo.

Aluna: Mas mesmo assim, no Porto e em Lisboa têm ocorrido muitos casos de violência!

Agente: Não tenho por hábito seguir as notícias. Limito-me aqui à zona que eu faço que é Coimbra. Mas acontece o tal problema que Lisboa e Porto são maiores e ainda a pouco tempo aconteceu uma situação lá para os lados de Lisboa, acho que foi um rapto ou uma coisa assim, e no dia a seguir os pais já estavam, aqui na escola, todos alarmados, porque vêm as noticias. Lá está outra vez o caso das novelas. Uma das razões dos filhos se darem mal com os pais é as novelas, sem dúvida.

2 comentários:

Joana disse...

Gostei muito de ver este blog, porque apesar de estar pequenino, está muito bem construido e tem uma optima aparencia :D

né dias disse...

Eu concordo que as questões estão muito bem escolhidas, agora as respostas... deixem-me dizer que este agente deixou-me um bocadinho preocupada com a maneira que ele tem de abordar as coisas.

Não podemos usar a desculpa das "novelas" num problema que é grave, quer dizer... estes casos sempre existiram, muito antes dos Morangos com Açúcar e coisas do género.

Assusta-me também isto dos "menores" e "não se poder fazer nada". Eu tenho uma aluna que aqui há um tempo chegou perto de mim e disse-me que umas raparigas (matrafonas) lhe tinham dado pancada e ninguém fez nada.

Quer dizer, os miúdos levam pancada, muitos não contam a ninguém por vergonha, no dia seguinte voltam à escola, levam outra vez... e ninguém ouve nem nunca sabe de nada.

Sinceramente às vezes nem sei para que é que existe polícia e da má fama de não fazerem nada não se livram tão cedo.